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Beethoven e sua misteriosa surdez



Embora a genialidade do compositor tenha sido reconhecida muito cedo, sua personalidade sempre foi mal interpretada. A imagem que entrou para a posteridade é a de um senhor recluso e rabugento. Nada a ver, entretanto, com o rapaz de bem com a vida que ele demonstrava ser na juventude. A mudança de humor tem explicação: por volta dos 26 anos de idade, Beethoven começou ficar surdo.

Nascido em 1770, o alemão Ludwig van Beethoven atingiu o ápice de sua carreira em 1814, quando foi aclamado o maior músico do mundo em atividade. Tinha 44 anos. Mas o misterioso problema de audição já o impedia de saborear momentos de glória. Além da surdez progressiva, àquela altura ele era atormentado também por um zumbido ininterrupto. Até que a situação finalmente evoluiu, por volta de 1816, para a surdez quase absoluta. Mesmo assim, foi na reclusão motivada pela incapacidade de ouvir que Beethoven criou algumas de suas mais belas obras - como a Sinfonia n° 9, composta entre 1822 e 1824.

Antes de perder completamente a audição, Beethoven recorreu a vários médicos, que lhe receitaram desde tônicos à base de ervas até banhos termais e temporadas de descanso no campo. Tudo em vão. A única coisa que lhe garantia algum alívio - pelo menos para o zumbido - eram chumaços de algodão enfiados nos ouvidos. O compositor morreu, em 1827, sem que ninguém lhe apresentasse um tratamento eficiente, muito menos a cura. E a causa de seu infortúnio até hoje é motivo de controvérsia.

"Entre as várias teorias, acredito na hipótese de sífilis", afirma o americano Philip Mackowiak. De acordo com o médico, a doença era muito comum em toda a Europa nos tempos de Beethoven, e um de seus efeitos pode ser justamente a perda da capacidade auditiva. Além disso, diz Mackowiak, outros sintomas apresentados pelo compositor apontam para esse diagnóstico - entre eles, irritação intestinal, fortes dores de cabeça e inflamações nos olhos. E mais: segundo o americano, Beethoven costumava frequentar prostitutas - um fator de risco inquestionável, já que a transmissão da sífilis quase sempre se dá por meio do contato sexual.

Por outro lado, o brasileiro Ricardo Bento, professor de otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP, aposta numa tese diferente. Baseado principalmente nos dados resultantes da autópsia de Beethoven, o médico acredita que ele sofria de otosclerose clássica - uma doença que leva à má-formação das estruturas internas dos ouvidos. "Ela é altamente incidente na Europa até hoje", afirma Bento, autor de um estudo intitulado A Surdez de Beethoven: O Desafio de um Gênio. "E as causas dessa desordem são genéticas, não têm nada a ver com uma suposta doença sexualmente transmissível."



Fonte: http://super.abril.com.br



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