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PANCs: a importância das plantas alimentícias não convencionais por Ailin Aleixo



Você conhece peixinho da horta? Eu sou alucinada por ele


Nos distanciamos tanto da natureza, do campo, das estações, que esquecemos todo o tempo, água, cuidado e energia que cada um dos itens que consumimos necessita para chegar até nós. Por isso faço questão de visitar produtores sempre que tenho um tempo: reconectar-se é imprescindível. 

Há pouco, passei um final de semana na fazenda agroflorestal Coruputuba (@fazendacoruputuba), em Pindamonhangaba, que faz um trabalho belíssimo de recuperação de sementes e pesquisa e melhoria de espécies. Minha intenção era aprender um pouco mais sobre PANCs, as Plantas Alimentícias Não Convencionais.



Salada de PANCs da estação (no caso, serralha, língua de vaca, azedinha, catalônia, bálsamo e almeirão roxo) ao molho de mel dos Mellos e queijo de cabra de Santo Antonio do Empório dos Mellos, em Campos do Jordão



O que são PANCs e qual sua importância?

Plantas Alimentícias Não Convencionais são aquelas que a maioria das pessoas não se dá conta de sua função como alimento. Muitas, inclusive, são consideras matos ou ervas daninhas por crescerem espontaneamente nos quintais, campos e beiras de estrada.

Também pode-se considerar PANCs algumas plantas comuns, como a bananeira, porque acabamos restringindo seu consumo a fruta, jogando fora as outras partes comestíveis como o coração (ou umbigo) e os frutos verdes.

Por que tanto desconhecimento? Bom, o que aconteceu foi que com o passar das décadas, a destruição de vários biomas, o crescimento do agronegócio e os processos sucessivos de seleção artificial, houve uma redução drástica no número de plantas que são empregadas na alimentação humana. Isso traz como consequência a perda de diversidade no prato, redução de fontes naturais de nutrientes e a necessidade de reposição por fontes artificiais, como suplementos. Outro fator que se elimina é a diversidade cultural, com o abandono de saberes tradicionais associados ao consumo de espécies de plantas de ocorrência local ou regional.

Ou seja: vivemos num país riquíssimo em ingredientes mas acabamos por consumir sempre as mesmas coisas. Sendo assim, a demanda se restringe a apenas dezenas de itens, que são plantados cada vez em maior quantidade para atender a demanda. Enquanto isso, milhares de espécies são esquecidas e, muitas delas, extintas.

Por isso o trabalho de organizações e produtores como a Fazenda Coruputuba e Slow Food, entre outros, é tão importante: para serem produzidas em escala e chegarem aos mercados, é necessário haver interesse do consumidor, que só as descobrirá através de cozinheiros que as sirvam seus restaurantes e da imprensa. É o círculo virtuoso da informação.



Conheça abaixo algumas das tantas PANCs brasileiras


Beldroega



Também conhecida como caaponga, porcelana, onze-horas. Consumida em saladas, sopas, molhos e para engrossar caldos. Rica em vitamina C, ômega 3 e proteínas



Begônia



Suas flores podem ser consumidas cruas em saladas. Tem sabor refrescante, bem parecido ao do tomate verde.



Bertalha



Também conhecida por espinafre indiano. Planta trepadeira de folhas tenras que são consumidas refogadas em sopas, suflês e bolinhos.



Capuchinha



Também conhecida por Flor de Chagas, Chaguinha. Come-se as flores e folhas, que possuem grande quantidade de vitamina C. De sabor picante semelhante ao agrião.



Cará do ar



Planta trepadeira, produz tubérculos aéreos de cores branca, creme, roxa ou amarela. É rico em proteínas, carboidratos e potássio e alimento básico na Nigéria.



Chuchu de Vento



Também conhecido como maxixe peruano e taiuá. Seus frutos são consumidos em saladas, quando novos, ou refogados e recheados, quando adultos.



Vinagreira



Sorrel, conhecida no Brasil como vinagreira, é endêmica nas lhas Cayman. Niven Patel, do Brasserie, decidiu processa-la e mistura-la a framboesas e servir como acompanhamento de peixes
Também conhecida como hibisco, caruru-azedo, quiabo-azedo, rosélia. São consumidas suas folhas e capuchos em saladas – cruas ou refogadas – e compotas e geleias.



Feijão Guandu



Leguminosa de sabor potente, é altamente resistente a climas secos e solos pobres. Ricos em proteínas e carboidratos.



Araçá do Campo



Da família da goiaba, a pequena fruta possui alto teor de vitaminas A, B, C, antioxidantes, carboidratos e proteínas.



Maria Gorda



Também conhecida por Major Gomes, João Gomes e língua de vaca. Rústica, tolerante a seca, rica em nutrientes, possui 500% mais ferro que o espinafre.



Peixinho



Também conhecida como lambari da horta e orelha de lebre, por sua textura peludinha. As folhas ficam deliciosas quando empanadas e fritas e remete ao sabor do peixe lambari.



Taioba



Originária da América do Sul, a taioba (Xanthosoma sagittifolium) é muito similar na aparência ao inhame (Colocasia esculenta), natural do Sudeste da Ásia. Contém baixo nível calórico e alto nível nutricional e sensação de saciedade, por possuir muitas fibras. Dela come-se as folhas – deliciosas refogadas -, e o rizoma, o Taiá



Taiá


Informações de valores da imagem: 03.08.2016

Rizoma da Taioba, tem sabor parecido ao do inhame. Usa-se assado, cozido, em forma de purê ou frito. Por possuir muito amido, é ótimo espessante para caldos e sopas.









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