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Conheça a história e as curiosidades que marcam os 127 anos de Boa Vista

Conheça a história e as curiosidades que marcam os 127 anos de Boa Vista. Capital de Roraima celebra aniversário hoje, 9 de julho.
Boa Vista comemora 127 anos hoje (9); cidade foi planejada inicialmente em formato de um leque
(Foto: Platô Filmes e Câmera Pró Filmes/Arquivo pessoal)

Hoje, 9 de julho, a cidade de Boa Vista completa 127 anos. Com 320 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a única capital no Brasil acima da Linha do Equador pertence ao estado menos populoso e tem características que a distinguem das outras cidades do país desde a sua criação.
Foto aérea de Boa Vista do Rio Branco tirada na expedição de Hamilton Rice pela Amazônia, em 1924/1925; na época, a cidade tinha 30 anos (Foto: Acervo de Maurício Zouein)

História
Contrária à cultura da borracha, que predominava na região Norte, a fazenda que deu origem ao município de Boa Vista se dedicava à pecuária. "A historiografia coloca que Boa Vista surgiu a partir de uma fazenda particular, de um aglomerado que surge em torno dessa fazenda e em torno da questão do gado, que foi introduzido no Forte São Joaquim em meados do século XIX", explicou Carla Monteiro, professora doutora da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Em 9 de julho de 1890, um decreto assinado pelo então governador do Amazonas, Augusto Ximênes de Villeroy, dá à vila que surgiu da fazenda o status de município. Na época, ele fazia parte do Amazonas. Boa Vista do Rio Branco era composto por um território similar ao que hoje é o estado de Roraima. "A situação desse grande município perdura até 1943, quando Getúlio Vargas cria o Território Federal do Rio Branco ".
Em análise da história de Boa Vista, o professor Mestre Maurício Zouein, coordenador do Núcleo de Pesquisas Semióticas da Amazônia da UFRR, afirma: "Boa Vista nasce de uma fazenda. Até o 9 de julho, tudo que vem dessa história vem por causa dessas cabeças de gado e do Rio Branco", comentou.

O professor ainda acrescenta: "Fazendo uma metáfora: contra a correnteza do Rio Branco, chegam os não-índios colonizadores e se estabelecem aqui; contra a correnteza da cultura da borracha, vem o gado e se estabelece aqui; contra a correnteza de tudo o que se tinha no Brasil em matéria de urbanização, Boa Vista é uma cidade que no início foi planejada; contra o progresso civilizado, vem o 'boom' na década de 80 dos garimpos e aí, Boa Vista, que antes era planejada, passa a ser uma cidade inchada; com o fim da pecuária na década de 1960, o funcionalismo público passa a ser a principal fonte de receita do município", disse.
Petita Brasil em frente a sua casa, a residência mais antiga de Boa Vista (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

Casa mais antiga da cidade
Descendente do coronel Teodoro Bento Ferreira Marques Brasil, membro de uma das primeiras famílias de militares a chegar a Boa Vista, Petita Brasil é hoje dona da casa mais antiga da capital de Roraima. Construída em 1888 às margens do Rio Branco e ao lado do antigo Porto do Cimento, hoje Orla Taumanã, a casa virou Patrimônio Histórico de Boa Vista na década 1990 e mantém a estrutura, pisos e portas originais.

Feita de adobe, técnica antiga de terra crua usada para construir casas, a residência com cinco quartos e três salas foi palácio do primeiro governador do então Território Federal do Rio Branco, Capitão Ene Garcez dos Reis; recebeu o ex-presidente Juscelino Kubitschek no período de sua campanha eleitoral em 1955 e acolheu as primeiras madres beneditinas que ministraram as aulas no território.

Palco de grandes 'conchavos políticos', segundo Petita, hoje a luta é para manter a história viva. "Esses prédios e casas são um bem público. Fazem parte da história de um povo. O que entristece é quando querem anular a história. Eu digo sempre aos governantes: faça sua história, mas não apague aqueles que com muito suor e esforço também fizeram a sua".
Segundo IBGE, dos 320 mil moradores da capital, 8.550 se declaram indígenas (Foto: Inaê Brandão/ G1 RR)

Capital com maior população indígena do Brasil
O Censo de 2010 do IBGE apontou que Boa Vista é, proporcionalmente, a capital brasileira com a maior população indígena do país. Segundo o estudo, dos 320 mil moradores da capital, 8.550 se declaram indígenas. Eles correspondem a 3% da população da cidade.

Esses números, segundo Celino Raposo, coordenador do Instituto de Formação Superior Indígena Insikiran, da UFRR, não correspondem à realidade. "Ainda temos uma cultura em que o indígena não se reconhece. Esse número é bem maior com certeza". Apesar de ser difícil precisar qual povo ocupava a região em que hoje fica Boa Vista, Raposo afirmou que a área em sua maioria era habitada pelos Sapará. Hoje não existem mais comunidades dessa etnia.

O professor explicou que os indígenas migraram para a cidade em busca das coisas que não encontravam nas comunidades como educação, saúde e emprego. A migração foi mais intensa entre as décadas de 1970 e 1980. Por possuir uma cultura diferente do não-índio, os indígenas encontram dificuldade de adaptação aos costumes da cidade.

"Eles têm uma cultura diferente. Por exemplo, no momento em que eles estão na sala de aula, quando dá 11h, próximo da hora de comer, eles levantam e vão embora, porque eles têm dificuldade de se adaptar ao nosso horário", contou.
Na entrada do Cine Super K, vários desenhos e super-heróis recebem os visitantes (Foto: Inaê Brandão/G1 RR

Cinema
Por dentro o cinema possui pilares esculpidos
e luzes coloridas (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)
Um dos pontos que mais chamam a atenção de qualquer pessoa que visita Boa Vista é o cinema que fica em uma das principais avenidas da capital, a Ene Garcez. O Cine Super K, que existe há mais de 36 anos e que há pouco tempo era o único cinema da cidade, possui uma arquitetura no mínimo inusitada que deixa os turistas curiosos. Na fachada do estabelecimento, Homem-aranha, Batman, Shrek, Super Homem, personagens de Madagascar, Meu Malvado Favorito, Toy Story e Nemo estão representados em esculturas feitas com gesso, cimento e um isopor especial.

O interior do cinema não deixa os curiosos na mão. Com pilares também esculpidos, na bomboniere e nos corredores o visitante sente como se estivesse na era do gelo. Nas salas, o estilo peculiar continua e nas paredes os personagens de desenhos e filmes reaparecem em quadros. Somado a isso, luzes coloridas e pinturas psicodélicas complementam a decoração do cinema. A inspiração vem das viagens que o proprietário João Miguel Kimak faz pelo mundo.
O Complexo Ayrton Senna é o maior do Norte do Brasil. Lá é possível encontrar quadras de esporte, praça de alimentação, áreas de recreação infantil, pista de skate, de bicicleta e espaços para shows (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

Maior complexo de praças do Norte do Brasil
Como 75 mil metros de área urbanizada, o Complexo Praça Ayrton Senna é considerado o maior do Norte do Brasil, segundo Antônio Veras, professor doutor e diretor do Instituto de Geografia da UFRR. Em sua pesquisa sobre as praças da cidade de Boa Vista, Veras conta que o complexo foi construído em 1993.

Seguindo um estilo de boulevard, ou seja, uma pista longa com praça ao meio, ele é formado por várias outras praças, entre elas a da Pirâmide, em uma extremidade, e a Praça das Águas na outra. No Ayrton Senna é possível encontrar quadras de esporte, complexo de alimentação, áreas de recreação infantil, pista de skate, de bicicleta e espaços para shows. Ele e a Praça Mané Garrincha, na zona Oeste da capital, são as praças mais frequentadas e arborizadas da cidade.

Muito popular por suas praças, Boa Vista tem 43 espaços públicos em 54 bairros. De acordo com Veras, o número é ideal, no entanto as praças estão mal distribuídas e não atendem as necessidades da população. "Para criar uma praça tem que haver consulta à população local. As pessoas tem de ser ouvidas para se saber qual a demanda de cada bairro", considerou.
Meia tonelada de paçoca foi servida para 20 mil pessoas (Foto: Jackson Félix/G1 RR)

Maior paçoca do mundo
Na festa que celebrou o 15º aniversário do 'Boa Vista Junina', um arraial da capital, o bolo foi substituído pela paçoca de carne seca, um prato tradicional da culinária do estado, mas não por qualquer paçoca, e sim pela maior do mundo, segundo a prefeitura da cidade. Com 200 quilos de farinha de mandioca, 400 quilos de carne seca, 120 quilos de cebola e 60 litros de óleo, a meia tonelada de paçoca serviu para cerca de 20 mil pessoas na festa. Prato de origem indígena, segundo Raposo, a paçoca era originalmente feita em um equipamento de madeira e teve a sua forma de produção alterada com o passar do tempo.


Via G1.com

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